Solidariedade – É hora de pegar junto!
Vi crianças de menos de dez anos trabalhando como voluntárias para minimizar as perdas de outras da mesma idade no Vale do Itajaí. Um casal de vizinhos que veio morar a pouco tempo em nosso prédio, bateu à minha porta e com sotaque forte na fala se colocau à disposição e ajudar com sua caminhonete.
Seguimos juntos. Pais de famílias que estavam seguras passaram as noites nos abrigos limpando, cozinhando, organizando a distribuição dos donativos, conduzindo pessoas aos postos de saúde e hospitais. Lenços azuis enrolados e presos ao pescoço por um arganel identificavam os jovens escoteiros que distribuiam cestas básicas e faziam o censo das famílias atingidas nos bairros alagados. Com quase oitenta anos um japonês, de boné cravado na cabeça e passinhos miúdos, trabalhava incansavelmente na central de abastecimento recebendo doações e montando kits para distribuição.
As forças públicas estaduais, auxiliadas por outros estados brasileiros e do governo federal trabalharam a todo vapor, cumprindo as suas tarefas. As pessoas de todas as comunidades fizeram a diferença. Radialistas de plantão anunciavam disponibilidades como: – “Temos aqui mais um voluntário maravilhoso. O Sr. João da Silva preparou mil marmitas em Balneário Camboriú para ajudar pessoas de Itajaí, onde a situação é bem mais grave.” Você já pensou como seria fazer esta quantidade de comida na cozinha da sua casa, sem nenhum planejamento ou treino anterior? Muitas empresas transportadoras colocaram seus caminhões à disposição para se transformarem em casas provisórias e para distribuir os recursos.
Enquanto escrevo este texto, assisto a matéria na Globo onde a repórter mostra as toneladas de doações dos cidadãos de Curitiba. É impossível conter as lágrimas. Do meu estado natal, o Rio Grande do Sul, vi ontem 12 caminhões saindo carregados com colchões, travesseiros, água potável, remédios e outros mantimentos. Enfim… muito obrigada e por favor, continuem ajudando porque o estado de Santa Catarina quer voltar a recebê-los pleno em sua alegria e beleza. Então concluo que Sol, Ar e Idade aproximados formam esta bela palavra, solidariedade e refletem exatamente o que precisamos sempre, para praticar o bem e reverter situações difíceis com esta que os catarinenses estão vivendo. Os helicópteros continuam a passar sobre nossas cabeças e olha que nossa cidade, a bela Balneário Camboriú, já está retomando sua vida normal. Finalizo com a frase de uma jovem voluntária de Blumenau: – “Tudo vale a pena, amanhã será um novo dia, recomeçaremos e dará tudo certo novamente”.
Balneário Camboriú, 28 de novembro de 2008.
Autora:
Elis Rejane Busanello
Palestrante Motivacional
Facilitadora de Comunicação e Capacitação para Desenvolvimento Pessoal e Profissional

