Semana SIPAT Da Pedra a Diamente

O idioma da Globalização – Você já está falando?

Que o inglês é o idioma que todo mundo tem que falar (e escrever também) todo mundo já sabe. Desculpem, nem todo mundo. Minha mãe por exemplo, fala “português brasileiro fronteiriço gaúcho”, mas deixa para lá, ela já faz parte da minoria.

Até bem pouco tempo nós acreditávamos que o idioma que aproximaria os povos, geraria mais negócios, ampliaria conhecimentos, eliminaria diferenças e traduziria sentimentos universais era o inglês. O esperanto foi uma tentativa interessante que não deu certo e o idioma da terra do Tio Sam foi competentemente espalhado pelo mundo. Há quem aprenda o britânico e se orgulhe da tradição. Há quem escolha o australiano para ser diferente. Tudo bem, inglês é inglês, como o português de Portugal, de Angola ou do Brasil. Em termos de comunicação globalizada, o inglês é o princípio, mas foi superado pela força do veículo que o leva para o mundo corporativo, doméstico, acadêmico, religioso etc. Como?

Vamos voltar um pouco no tempo. Na década de 80, a banda gaúcha Tambo do Bando compôs uma canção chamada “O campeiro e o gravador”. Com ela, o grupo venceu o Musicanto, um fantástico festival de proposta inovadora realizado em Santa Rosa (sim, na terra da Xuxa) que depois foi “modificado” por mentes de vertentes diferentes do seu criador Luiz Carlos Borges, um dos melhores acordeonistas do Brasil (mas isto vamos deixar para outra crônica). Muito bem, esta composição vencedora retratava a nova realidade do homem do campo, com acesso fácil à tecnologia, ali representada pelo gravador, aquele aparelho onde a gente ouvia e gravava em fita cassete. A letra dizia assim: Rec, stop, power, phones, left, eject, pause. E seguia satirizando a influência do inglês no cotidiano, também do povo do interior.

Vejam vocês agora, o que a Internet fez. A língua universal é a que se fala na Web e, embora o inglês continue sendo o idioma, na Internet acontece um fenômeno onde as pessoas compreendem a função muitas vezes sem pensar no significado da palavra. Elas fazem uma associação rápida e memorizam o serviço que aquele termo presta. Assim sendo, defendo que o idioma universal é o Internetês e os adeptos dele não tem idade. Minha sogra, cidadã de Pelotas-RS, tem 68 anos, ela não fala inglês, mas pilota um computador como uma garota de 15 anos. Usar delete, start, in, out, print, insert, download, wireless, open, exit entre outras, já faz parte do trivial para ela. Diferenciar a aplicabilidade de “save” e “to save” é moleza para esta senhora e também para milhões de pessoas pelo mundo, que não falam inglês.

Diversos artigos alertam para os perigos do uso excessivo dos computadores. Pesquisas revelam que pais e filhos se comunicam cada vez menos porque os jovens passam muitas horas em seus notebooks, smartphones e outros dispositivos. A Internet é um caminho sem volta, portanto, é melhor se inteirar e aprender a fazer o bom uso para compartilhar.

A minha vida, assim como a sua, foi invadida pelo Internetês que passou a fazer parte do nosso dia a dia, quer queiramos ou não. Tags, blogs, posts, templates e links, nos ajudam a sobreviver neste mundo globalizado. Antes nós falávamos: – “Estou no escritório, estou em casa, estou em férias, estou na casa dos meus pais”. Agora só temos duas opções, ou você está online ou está offline, não importa onde está fisicamente. Ah!!! Você discorda? Não quer entrar nesta “nóia”? Então você está offline na vida virtual (que tem muita importância nos dias atuais) enquanto seus filhos e os trabalhadores de sua empresa estão super online no MSN, My Space, Youtube, Orkut, Twitter etc*.

* Cuidado com o que pode ser este etc.

O Internetês é o responsável pela globalização democratizada. Muitas cidades já oferecem conexão gratuita em lugares públicos como praças, parques, pontos de ônibus e rodoviárias. Existem portais, e-mails, jogos, comunidades, grupos, bate-papo, sites de namoro e muito mais, tudo gratuito. Quem pensou que a globalização aconteceu em razão da abertura da economia errou. É a Internet que nos aproxima e reduz as desigualdades. O segredo agora é aprender a usar o melhor que ela pode oferecer e isto “já é” ou “só se for agora brother”.

OBS.: Artigo publicado na Revista Voi – Edição abril/2009.

Autora:
Elis Rejane Busanello
Palestrante Motivacional
Facilitadora de Comunicação e Capacitação para Desenvolvimento Pessoal e Profissional

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